O governo francês ativou uma célula de crise para lidar com a onda de calor que atinge o país. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu nesta sexta-feira (19). O pico do calor é esperado para o domingo, quando milhões de pessoas devem ir às ruas para a Fête de la Musique (Festa da Música).
A célula de crise se reúne no sábado. Nesse dia, mais de 41 milhões de franceses estarão em áreas sob alerta laranja, o segundo nível mais alto do país. Este é o segundo episódio de onda de calor em 2024.
A preocupação das autoridades aumenta porque o pico coincide com a festa popular. O evento reúne milhões de pessoas em shows ao ar livre, com consumo de bebidas alcoólicas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou que alguns departamentos podem entrar em “alerta vermelho por onda de calor” a partir de domingo. As temperaturas podem chegar a 30°C durante a noite e 40°C durante o dia.
Na quinta-feira, o presidente Emmanuel Macron pediu cuidado com “as pessoas idosas e as mais vulneráveis”, classificando os próximos dias como “difíceis”. As autoridades cancelaram eventos esportivos e adiaram em uma semana as provas orais do bacharelado. Apesar disso, a maioria das festividades da Fête de la Musique será mantida, embora algumas cidades tenham cancelado suas programações.
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, recomendou prudência. Ela afirmou que o consumo de álcool com calor intenso pode levar à desidratação duas ou três vezes mais rápida, resultando em atendimentos de emergência. Em Paris, a Prefeitura espera cerca de dois milhões de pessoas nas ruas, número semelhante ao do ano passado. Muitos turistas britânicos, motivados por redes sociais, planejam viajar para a capital francesa para participar da festa.
O francês Serpico Collins, de 33 anos, morador de Londres, disse que no domingo vai percorrer as ruas de Paris em busca de música ao vivo. A França registra a primavera mais quente desde 1900, com temperatura média entre março e maio cerca de 1°C acima do normal. Cientistas apontam que as ondas de calor na Europa se tornam mais frequentes devido às mudanças climáticas.

