O cinema latino-americano usa o Prêmio Platino para discutir democracia, memória política e os legados do autoritarismo na região. Pelo menos três produções que tratam desses temas concorrem à premiação, cujos vencedores serão anunciados em 9 de maio, no México.
Entre os concorrentes estão os longas-metragens brasileiros ‘O Agente Secreto’, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que disputa como melhor filme do ano, e o documentário ‘Apocalipse nos Trópicos’, de Petra Costa. Também concorre o documentário paraguaio ‘Sob as bandeiras, o Sol’, de Juanjo Pereira, sobre a memória da ditadura militar no Paraguai.
‘O Agente Secreto’ aborda o apoio empresarial ao regime militar, a perseguição política e o apagamento da memória sobre a ditadura no Brasil. Já ‘Apocalipse nos Trópicos’ mostra a influência da religião evangélica na política brasileira. O filme paraguaio recupera imagens raras para documentar a ditadura de Alfredo Stroessner, regime que prendeu e torturou mais de 20 mil pessoas, com apoio do Brasil na Operação Condor.
Paulo Renato da Silva, professor de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), disse que países latino-americanos têm populações sem direitos básicos, como saúde, alimentação e moradia. Para ele, a democracia pode atender essas demandas, ao contrário de regimes autoritários que favorecem grupos específicos e cerceiam liberdades.
A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marina Tedesco afirmou que a fragilidade democrática na região é um tema não resolvido. Ela observou que ainda há políticos defendendo o regime militar ou minimizando violações de direitos. Tedesco lembrou que Stroessner foi reverenciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o cinema sempre tratou da democracia, mesmo de forma clandestina, e governos autoritários continuam atacando essa expressão.
Em 2025, o filme ‘Ainda Estou Aqui’, sobre a ditadura brasileira pela perspectiva da família do ex-deputado Rubens Paiva, venceu o Prêmio Platino.

