O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que vai pedir a abertura de um processo disciplinar no Exército contra o general Emílio Ribeiro, chefe da assessoria da força terrestre no Congresso Nacional. O parlamentar, que é pré-candidato ao Senado, afirma ter sido intimidado pelo militar após participar de uma sessão da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados na última quarta-feira, 29 de maio.
Van Hattem também vai registrar boletim de ocorrência contra o general na Polícia Legislativa da Câmara. Segundo o deputado, a abordagem ocorreu depois que ele fez um pronunciamento crítico ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, a quem chamou de “ajudante de ordens” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O deputado critica o Exército por não demonstrar solidariedade aos militares condenados por Moraes no julgamento da trama golpista. Na saída da comissão, o general Emílio o questionou, e houve um diálogo ríspido. Van Hattem chegou a chamar o assessor e o comandante do Exército de “frouxos”, por se dobrarem a Moraes.
O parlamentar diz ter sido alvo de uma tentativa de constrangimento. “É inacreditável que alguns representantes do generalato do Exército busquem ameaçar parlamentares dentro da Câmara por causa de suas opiniões. A censura feita por Alexandre de Moraes passou a ser ensinada ao comandante Tomás e a seus subordinados imediatos de ocasião? Essa postura mancha a reputação e a história do Exército brasileiro, sobre o qual respeito como instituição”, declarou.
A liderança da oposição na Câmara divulgou nota de solidariedade a Van Hattem. O episódio ocorre em meio ao embate entre parlamentares da oposição e o STF, especialmente sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes nos inquéritos que envolvem militares e atos antidemocráticos. O general Tomás Paiva, por sua vez, tem sido alvo de críticas de setores da direita por não se posicionar contra as decisões do Supremo.

