Um jatinho da frota pessoal de Daniel Vorcaro segue operando voos internacionais entre América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio mesmo depois da última prisão do ex-banqueiro, ocorrida em 4 de março deste ano. Desde então, foram 16 voos, todos com origem ou destino em Assunção, no Paraguai. A aeronave não passou pelo Brasil nesse período, conforme dados de rastreamento.
O avião, um Gulfstream GV-SP de prefixo PR-PSE, foi comprado por Vorcaro em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões e pertence à Viking, holding do ex-banqueiro. A matrícula da aeronave possui duas ordens judiciais de bloqueio, impedindo venda ou transferência. Não há registro de sublocação no Registro Aeronáutico Brasileiro.
A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o uso do avião. Especialistas em direito aeronáutico ouvidos avaliam que o atual usuário pode estar evitando o Brasil com receio de apreensão pela Polícia Federal, que investiga possíveis crimes do ex-banqueiro.
Vorcaro está detido desde 4 de março. Primeiro passou pela superintendência da PF em Brasília, onde negociava delação premiada, e hoje está no Núcleo de Custódia da Polícia Militar, o Papudinha. A aeronave deixou o Brasil em agosto de 2025, antes da primeira prisão, ocorrida em 18 de novembro, quando o banqueiro embarcava para Dubai.
Rotas do jatinho
Dez dias após a prisão, em 14 de março, o jato saiu da Flórida com destino a Assunção, que virou sua base. Em seguida, fez viagens para Miami, Paris, Nova York, Dubai, Anguilla, Mônaco e Filadélfia, sempre retornando à capital paraguaia. Uma das rotas incluiu parada em Luanda, em Angola.
O avião também era usado por terceiros. A ex-noiva de Vorcaro, Martha Graeff, utilizou a aeronave em viagens para Tanzânia, Croácia e São Paulo. Segundo a revista Piauí, o ex-ministro Fábio Faria aparece na lista de passageiros de um voo a Nova York, o que ele nega ter custeado.
Em setembro de 2025, Vorcaro vendeu 55% da Viking ao Stern Fundo de Investimentos. O liquidante do Master, porém, afirma que a operação manteve o controle com o grupo e que o fundo Faex, dono do Stern, pertence ao próprio Master.

