A FIFA recuou em um dos projetos mais ambiciosos de sua história recente. O presidente Gianni Infantino queria criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que controlaria os direitos comerciais e de transmissão de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. Em troca da entrada de investidores privados, a entidade prometia aumentar os repasses às 211 federações filiadas, saltando de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com promessas que chegavam a US$ 40 milhões.
A ideia de privatizar o maior patrimônio do futebol gerou uma crise sem precedentes. Sete motivos levaram a entidade a abandonar o plano.
1. Racha na governança do futebol
O próprio Gianni Infantino admitiu que o projeto criou divisões internas. Em vez de unificar o esporte, a tentativa de mercantilização enfraqueceu a governança global da entidade.
2. Ameaça de boicote da UEFA
A UEFA liderou a oposição mais dura. A entidade europeia avisou que, se a FIFA privatizasse os direitos comerciais, os países europeus poderiam não participar das competições. Isso esvaziaria o valor e o interesse na Copa do Mundo.
3. Rejeição das confederações
Não foi só a Europa. Concacaf e AFC (Ásia) rejeitaram a proposta publicamente. Conmebol, CAF (África) e OFC (Oceania) travaram o andamento e exigiram explicações. Sem o apoio dos continentes, o plano perdeu viabilidade política.
4. Renúncia na cúpula da FIFA
A crise chegou ao gabinete de Infantino. Carlos Cordeiro, um dos assessores de maior confiança, renunciou em protesto contra a criação da FFE. A resistência partia de dentro da própria entidade.
5. Suspeitas de compra de votos
A promessa de aumentar os repasses financeiros, com documentos vazados mostrando ofertas de até US$ 40 milhões, levantou questionamentos éticos. O apelo para obter apoio político foi visto como tentativa de compra de votos.
6. Isolamento político
O plano perdeu sustentação no cenário internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, negou ter discutido a proposta com Infantino. A FIFA não conseguiu usar líderes globais para chancelar o projeto.
7. Perda do propósito institucional
A proposta focou tanto na rentabilidade que descaracterizou o papel da FIFA. Ao tentar entregar o controle do seu maior ativo ao mercado privado, a entidade deixou de lado o objetivo de desenvolver o futebol mundial de forma equilibrada.
Com o recuo forçado, Infantino prometeu reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar alternativas. O desafio é socorrer financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.

