O debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) foi marcado por uma enxurrada de números e dados técnicos, mas também serviu como uma prévia do que pode ser a disputa presidencial de 2030. Ambos os políticos são vistos como potenciais representantes dos campos bolsonarista e lulista nas próximas eleições.
Durante o confronto, os candidatos nacionalizaram o debate em diversos momentos. O governador provocou o ex-ministro da Fazenda sobre os gastos fiscais e classificou o arcabouço fiscal, uma das principais medidas da gestão petista, como “frouxo”. Tarcísio também lembrou o cenário econômico do governo Dilma Rousseff e questionou se não seria necessária uma mudança em Brasília.
Haddad respondeu com dados macroeconômicos que considera pontos positivos do governo Lula, como inflação controlada, desemprego em baixa e crescimento do país. O petista também atacou o adversário ao citar a relação da família Bolsonaro com o governo de Donald Trump e a imposição de tarifas contra o Brasil. Ele ainda fez referência à foto de Tarcísio usando um boné do ex-presidente americano, afirmando que o governador deveria “colocar o boné certo, o boné do brasileiro”.
O debate também incluiu a menção ao caso Master. Haddad lembrou a suposta omissão de Roberto Campos Neto, mas Tarcísio não respondeu à provocação. O petista ainda citou o filme “Dark Horse”, que teve financiamento parcial de Daniel Vorcaro, em sua última fala, sem dar chance de réplica. Mais adiante, Tarcísio perguntou se Haddad faria um mea culpa sobre a Lava Jato, mas foi ignorado.
Os dois candidatos atuaram como representantes de seus padrinhos políticos, Lula e Flávio Bolsonaro, o que aumentou a tensão do encontro. Em determinado momento, Haddad chamou Tarcísio de “concurseiro adepto de decoreba”. A situação piorou quando o governador afirmou que o petista dividiu palanque com uma traficante da favela do Moinho, o que gerou reação irritada de Haddad.
O petista também criticou as privatizações promovidas pela gestão Tarcísio, chamando o programa de “voraz” e de “parceria com a Faria Lima”. Ele abordou ainda a infiltração do crime organizado no estado e uma suposta insatisfação do governador com o ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite. Haddad cobrou reconhecimento sobre a participação de recursos federais em obras como a remoção da favela do Moinho e as novas linhas de trem e metrô.
Tarcísio, por sua vez, defendeu a venda da Sabesp e listou obras em diversas áreas, além de destacar a queda nos indicadores de violência. Nos temas estaduais, os dois voltaram ao tom professoral, com muitos dados e termos técnicos. “Eu sei que os números incomodam”, disse Tarcísio em meio às trocas de farpas, frase com a qual parte da audiência deve ter se identificado.

