Insônia no idoso: as causas investigadas antes de qualquer comprimido
Deita às nove, acorda às três e cochila duas vezes de dia: o remédio mais forte não é o que falta.
Idoso deitado na cama, acordado, com o celular no ouvido
Imagine um homem de 78 anos em Porto Alegre que dorme às nove da noite, acorda às três da manhã e fica na cama até as sete, irritado, e depois cochila duas vezes durante o dia. Toma um calmante há doze anos, receitado para a insônia no idoso e nunca revisado. A família pede outro remédio, mais forte. O geriatra que o recebe faz o contrário: revisa o calmante, o cochilo da tarde e a hora de deitar, porque a maior parte dos casos não se trata com comprimido.
Este texto explica o que muda no sono depois dos 65, a diferença entre sono alterado e insônia, as causas que o geriatra procura, por que o calmante de anos é problema e não resposta, o que a higiene do sono significa na prática para o idoso e quando um exame do sono é indicado.
O que muda no sono com a idade
O idoso dorme mais cedo, acorda mais cedo, tem mais despertares durante a noite e menos sono profundo. A produção de melatonina cai, o relógio biológico adianta e o sono fica mais leve. Isso é fisiologia, não doença.
A necessidade total de sono muda pouco, em torno de sete horas, mas parte dela migra para cochilos de dia, e a noite fica curta. O erro é tentar compensar deitando cedo demais, o que aumenta o tempo acordado na cama.
Insônia é outra coisa: dificuldade de dormir ou manter o sono, com prejuízo durante o dia, por três ou mais noites por semana, por meses.
Insônia no idoso: as causas que se investiga
A tabela mostra o que costuma estar por trás da insônia do idoso e o que orienta o tratamento.
| Causa | Pista | O que se faz |
|---|---|---|
| Cochilos longos de dia | Dorme uma ou duas horas à tarde | Limitar a 20 ou 30 minutos, antes das 15h |
| Dor não controlada | Acorda com dor, muda de posição a noite toda | Tratar a dor; artrose e coluna são as mais comuns |
| Urinar várias vezes | Levanta três ou mais vezes | Avaliar próstata, bexiga, diurético à noite, líquido tarde |
| Apneia do sono | Ronco, pausas na respiração, sono não reparador, sonolência de dia | Polissonografia e tratamento com aparelho |
| Depressão e ansiedade | Acorda de madrugada com a cabeça acelerada, desânimo | Tratar o humor; o sono melhora junto |
| Remédios | Diurético à noite, corticoide, alguns antidepressivos, cafeína em analgésicos | Mudar horário ou trocar |
| Pernas inquietas | Vontade de mexer as pernas ao deitar | Dosar ferro e tratar |
Em boa parte dos casos, duas ou três causas se somam, e nenhuma delas se resolve com calmante. A lista de profissionais com geriatra em Porto Alegre reúne os especialistas cadastrados na capital, com endereço e contato, para a investigação começar pela causa e não pelo comprimido.
O sedativo de anos
A sequência abaixo é o que acontece com o benzodiazepínico usado por muito tempo em idoso.
- Nos primeiros meses, funciona; depois, o corpo se acostuma e o sono volta a piorar com o remédio.
- O efeito residual pela manhã traz sonolência, lentidão e queda, principalmente na ida ao banheiro à noite.
- A memória e a atenção pioram, e a família confunde com demência.
- Parar de uma vez causa insônia de rebote e ansiedade, o que convence o paciente de que "precisa" do remédio.
- A retirada certa é lenta, por semanas ou meses, com redução gradual acompanhada pelo médico.
- Quem retira dorme pior por algumas semanas e melhor depois, sem o risco de queda.
Higiene do sono para idoso, na prática
Horário fixo para levantar, mesmo depois de noite ruim, é a regra que mais funciona, porque ancora o relógio biológico. Luz do dia pela manhã, de preferência ao ar livre, reforça a âncora. Atividade física de dia, não à noite.
Deitar só com sono, não "para tentar"; se não dormir em vinte minutos, levantar, fazer algo calmo com pouca luz e voltar. Cama é para dormir, não para ver televisão nem ficar deitado acordado.
Jantar leve e cedo, pouco líquido depois das 19h, sem cafeína depois do almoço, álcool fora, quarto escuro, silencioso e fresco.
Quando o exame do sono é indicado?
Quando há ronco alto com pausas, sonolência excessiva de dia apesar de horas na cama, pressão difícil de controlar, ou dor de cabeça matinal. Esses sinais apontam apneia, que é frequente no idoso e tratável com aparelho de pressão positiva.
A polissonografia é o exame; alguns casos podem ser avaliados com aparelho portátil em casa.
Tratar a apneia melhora o sono, a pressão, a memória e o humor.
Remédio para dormir tem lugar?
Tem, em situações específicas e por tempo curto, com escolha pelo perfil de segurança no idoso. Melatonina em dose baixa pode ajudar quem tem o relógio adiantado. Antidepressivos sedativos, em doses pequenas, são opção quando há humor alterado. Benzodiazepínico e os "z" de uso contínuo estão entre os remédios que os critérios para idosos recomendam evitar.
A terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento com mais evidência em qualquer idade e funciona no idoso.
Nenhum remédio substitui tratar a causa.
Perguntas frequentes sobre insônia no idoso
É normal o idoso dormir menos?
É normal dormir mais cedo, acordar mais cedo e ter sono mais leve. Não é normal ter dificuldade de dormir com prejuízo de dia, três ou mais noites por semana, por meses.
Calmante para dormir faz mal ao idoso?
Em uso contínuo, sim: perde efeito, causa queda, sonolência e piora de memória. A retirada é gradual e acompanhada.
Por que o idoso acorda de madrugada?
Relógio biológico adiantado, cochilos longos de dia, dor, vontade de urinar, apneia, depressão ou remédio. O geriatra investiga cada um.
O que fazer quando não consegue dormir?
Levantar depois de vinte minutos, fazer algo calmo com pouca luz e voltar com sono. Ficar na cama acordado ensina o cérebro a associar cama a vigília.
Quando fazer polissonografia?
Com ronco alto e pausas, sonolência de dia apesar de horas na cama, pressão difícil ou dor de cabeça matinal, que sugerem apneia.
Melatonina funciona?
Em dose baixa, pode ajudar quem tem o relógio adiantado, com orientação médica. Não é sedativo e não trata as outras causas.
Resumo
O sono do idoso fica mais leve, mais cedo e mais fragmentado, e isso é fisiologia; insônia é dificuldade com prejuízo de dia por meses, e quase sempre tem causa: cochilo longo, dor, urina, apneia, depressão, remédio ou pernas inquietas. Na insônia no idoso, o geriatra investiga cada uma antes de qualquer comprimido, retira devagar o sedativo antigo e prescreve a higiene do sono que funciona no idoso: hora fixa de levantar, luz de manhã, cama só para dormir. Polissonografia entra quando há sinal de apneia, e terapia cognitivo-comportamental é o tratamento com mais evidência.

