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Saúde

Insônia no idoso: as causas investigadas antes de qualquer comprimido

Deita às nove, acorda às três e cochila duas vezes de dia: o remédio mais forte não é o que falta.

Por · · 6 min de leitura
Idoso deitado na cama, acordado, com o celular no ouvido

Idoso deitado na cama, acordado, com o celular no ouvido

Imagine um homem de 78 anos em Porto Alegre que dorme às nove da noite, acorda às três da manhã e fica na cama até as sete, irritado, e depois cochila duas vezes durante o dia. Toma um calmante há doze anos, receitado para a insônia no idoso e nunca revisado. A família pede outro remédio, mais forte. O geriatra que o recebe faz o contrário: revisa o calmante, o cochilo da tarde e a hora de deitar, porque a maior parte dos casos não se trata com comprimido.

Este texto explica o que muda no sono depois dos 65, a diferença entre sono alterado e insônia, as causas que o geriatra procura, por que o calmante de anos é problema e não resposta, o que a higiene do sono significa na prática para o idoso e quando um exame do sono é indicado.

O que muda no sono com a idade

O idoso dorme mais cedo, acorda mais cedo, tem mais despertares durante a noite e menos sono profundo. A produção de melatonina cai, o relógio biológico adianta e o sono fica mais leve. Isso é fisiologia, não doença.

A necessidade total de sono muda pouco, em torno de sete horas, mas parte dela migra para cochilos de dia, e a noite fica curta. O erro é tentar compensar deitando cedo demais, o que aumenta o tempo acordado na cama.

Insônia é outra coisa: dificuldade de dormir ou manter o sono, com prejuízo durante o dia, por três ou mais noites por semana, por meses.

Insônia no idoso: as causas que se investiga

A tabela mostra o que costuma estar por trás da insônia do idoso e o que orienta o tratamento.

CausaPistaO que se faz
Cochilos longos de diaDorme uma ou duas horas à tardeLimitar a 20 ou 30 minutos, antes das 15h
Dor não controladaAcorda com dor, muda de posição a noite todaTratar a dor; artrose e coluna são as mais comuns
Urinar várias vezesLevanta três ou mais vezesAvaliar próstata, bexiga, diurético à noite, líquido tarde
Apneia do sonoRonco, pausas na respiração, sono não reparador, sonolência de diaPolissonografia e tratamento com aparelho
Depressão e ansiedadeAcorda de madrugada com a cabeça acelerada, desânimoTratar o humor; o sono melhora junto
RemédiosDiurético à noite, corticoide, alguns antidepressivos, cafeína em analgésicosMudar horário ou trocar
Pernas inquietasVontade de mexer as pernas ao deitarDosar ferro e tratar

Em boa parte dos casos, duas ou três causas se somam, e nenhuma delas se resolve com calmante. A lista de profissionais com geriatra em Porto Alegre reúne os especialistas cadastrados na capital, com endereço e contato, para a investigação começar pela causa e não pelo comprimido.

O sedativo de anos

A sequência abaixo é o que acontece com o benzodiazepínico usado por muito tempo em idoso.

  1. Nos primeiros meses, funciona; depois, o corpo se acostuma e o sono volta a piorar com o remédio.
  2. O efeito residual pela manhã traz sonolência, lentidão e queda, principalmente na ida ao banheiro à noite.
  3. A memória e a atenção pioram, e a família confunde com demência.
  4. Parar de uma vez causa insônia de rebote e ansiedade, o que convence o paciente de que "precisa" do remédio.
  5. A retirada certa é lenta, por semanas ou meses, com redução gradual acompanhada pelo médico.
  6. Quem retira dorme pior por algumas semanas e melhor depois, sem o risco de queda.

Higiene do sono para idoso, na prática

Horário fixo para levantar, mesmo depois de noite ruim, é a regra que mais funciona, porque ancora o relógio biológico. Luz do dia pela manhã, de preferência ao ar livre, reforça a âncora. Atividade física de dia, não à noite.

Deitar só com sono, não "para tentar"; se não dormir em vinte minutos, levantar, fazer algo calmo com pouca luz e voltar. Cama é para dormir, não para ver televisão nem ficar deitado acordado.

Jantar leve e cedo, pouco líquido depois das 19h, sem cafeína depois do almoço, álcool fora, quarto escuro, silencioso e fresco.

Quando o exame do sono é indicado?

Quando há ronco alto com pausas, sonolência excessiva de dia apesar de horas na cama, pressão difícil de controlar, ou dor de cabeça matinal. Esses sinais apontam apneia, que é frequente no idoso e tratável com aparelho de pressão positiva.

A polissonografia é o exame; alguns casos podem ser avaliados com aparelho portátil em casa.

Tratar a apneia melhora o sono, a pressão, a memória e o humor.

Remédio para dormir tem lugar?

Tem, em situações específicas e por tempo curto, com escolha pelo perfil de segurança no idoso. Melatonina em dose baixa pode ajudar quem tem o relógio adiantado. Antidepressivos sedativos, em doses pequenas, são opção quando há humor alterado. Benzodiazepínico e os "z" de uso contínuo estão entre os remédios que os critérios para idosos recomendam evitar.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento com mais evidência em qualquer idade e funciona no idoso.

Nenhum remédio substitui tratar a causa.

Perguntas frequentes sobre insônia no idoso

É normal o idoso dormir menos?

É normal dormir mais cedo, acordar mais cedo e ter sono mais leve. Não é normal ter dificuldade de dormir com prejuízo de dia, três ou mais noites por semana, por meses.

Calmante para dormir faz mal ao idoso?

Em uso contínuo, sim: perde efeito, causa queda, sonolência e piora de memória. A retirada é gradual e acompanhada.

Por que o idoso acorda de madrugada?

Relógio biológico adiantado, cochilos longos de dia, dor, vontade de urinar, apneia, depressão ou remédio. O geriatra investiga cada um.

O que fazer quando não consegue dormir?

Levantar depois de vinte minutos, fazer algo calmo com pouca luz e voltar com sono. Ficar na cama acordado ensina o cérebro a associar cama a vigília.

Quando fazer polissonografia?

Com ronco alto e pausas, sonolência de dia apesar de horas na cama, pressão difícil ou dor de cabeça matinal, que sugerem apneia.

Melatonina funciona?

Em dose baixa, pode ajudar quem tem o relógio adiantado, com orientação médica. Não é sedativo e não trata as outras causas.

Resumo

O sono do idoso fica mais leve, mais cedo e mais fragmentado, e isso é fisiologia; insônia é dificuldade com prejuízo de dia por meses, e quase sempre tem causa: cochilo longo, dor, urina, apneia, depressão, remédio ou pernas inquietas. Na insônia no idoso, o geriatra investiga cada uma antes de qualquer comprimido, retira devagar o sedativo antigo e prescreve a higiene do sono que funciona no idoso: hora fixa de levantar, luz de manhã, cama só para dormir. Polissonografia entra quando há sinal de apneia, e terapia cognitivo-comportamental é o tratamento com mais evidência.

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