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Saúde

Brasil entra em estudo global que busca cura da hepatite B

USP e Ufes participam de consórcio internacional que vai acompanhar 600 pacientes em quatro países até 2027

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Brasil entra em estudo global que busca cura da hepatite B

Brasil entra em estudo global que busca cura da hepatite B

Duas universidades públicas brasileiras, a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, ligado à Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), passaram a integrar em 2026 um consórcio internacional que investiga novos tratamentos e uma possível cura para a hepatite B. A pesquisa é coordenada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne ainda grupos científicos da Índia, do Senegal e de Uganda.

O projeto vai analisar, em nível celular, como o vírus se comporta em pacientes de diferentes países e de que forma o sistema imunológico de cada pessoa infectada reage à doença. Também entram no estudo pacientes com coinfecção por hepatite B e HIV, o que amplia o alcance da pesquisa sobre a interação entre os dois vírus.

De acordo com a professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes e uma das principais referências brasileiras no assunto, a hepatite B ainda não tem cura, e essa lacuna é justamente o que motiva o esforço internacional. "A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global", afirmou a pesquisadora à Agência Brasil.

Como funciona a pesquisa e quem será acompanhado

O consórcio nasceu em 2023, chegou a ser interrompido em 2024 e foi retomado em 2025. No Brasil, o trabalho de campo começou neste ano e deve se estender por cerca de cinco anos, misturando ciência básica em laboratório com acompanhamento clínico direto dos pacientes.

Ao todo, 600 pessoas com hepatite B ou com a coinfecção por hepatite B e HIV serão monitoradas por aproximadamente quatro anos e meio cada uma. Cada um dos quatro países envolvidos ficará responsável por 150 participantes, e a equipe brasileira coordenada por Reuter vai analisar 75 deles.

O recrutamento no Brasil começou em julho de 2026 e já soma 40 voluntários. A meta da pesquisadora é fechar o grupo de 75 pacientes até o final deste ano, dentro do prazo geral do estudo, que vai até meados de 2027.

O que os cientistas esperam descobrir

Um dos focos da pesquisa é entender por que o vírus da hepatite B evolui de formas tão diferentes entre pacientes distintos. Os cientistas também querem identificar características genéticas que funcionem como proteção natural contra uma progressão mais agressiva da doença.

Outra frente de investigação envolve subpartículas do próprio vírus que possam servir como sinal precoce de cura ou orientar a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente. Segundo Reuter, o objetivo final é encontrar alvos biológicos que ajudem no desenvolvimento de novos remédios, incluindo substâncias que estimulem ou modulem a resposta imunológica.

A relevância clínica é alta: a hepatite B está entre as principais causas de câncer primário de fígado, o hepatocarcinoma, além de poder evoluir para cirrose. "A gente está aqui trabalhando para mitigar a evolução de cirrose e câncer hepático", disse a pesquisadora à Agência Brasil.

Tamanho do problema no Brasil e no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 240 milhões de pessoas vivam com infecção crônica pelo vírus da hepatite B. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.

A transmissão ocorre por relação sexual sem proteção, contato com sangue contaminado e também da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto. A Sociedade Brasileira de Clínica Médica aponta que o vírus da hepatite B é cem vezes mais contagioso que o HIV, o que reforça a importância da prevenção.

Um relatório da OMS divulgado em julho de 2026 mostra que as novas infecções por hepatites virais caíram 32% no mundo desde 2015, avanço atribuído em parte ao aumento da cobertura vacinal infantil, que atingiu 84% em 2024. A meta da organização é eliminar o HIV, as hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis como problema de saúde pública até 2030.

Vacina já está disponível no SUS

Diferente de outros avanços médicos que ainda dependem de aprovação para chegar ao país, a principal ferramenta de prevenção contra a hepatite B já está plenamente disponível no Brasil. O Ministério da Saúde oferece a vacina gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para qualquer pessoa não vacinada, sem limite de idade.

Para crianças, o esquema recomendado é de quatro doses: ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses de vida. Já para adultos que nunca foram imunizados, o protocolo padrão prevê três doses. O uso de preservativo em todas as relações sexuais e o cuidado para não compartilhar objetos perfurocortantes ou de higiene pessoal completam as recomendações oficiais de prevenção.

O que ainda falta saber

O estudo liderado pela Johns Hopkins está em fase de recrutamento e não tem, até agora, resultados divulgados sobre eficácia de tratamentos ou candidatos a cura. O prazo de conclusão da coleta de dados no Brasil é meados de 2027, mas a análise completa dos achados científicos deve levar mais tempo, já que o acompanhamento de cada paciente se estende por quatro anos e meio.

Para quem já vive com hepatite B, a orientação segue sendo o acompanhamento médico regular pelo SUS, já que o novo estudo é uma pesquisa científica e não representa, neste momento, um tratamento disponível para uso clínico imediato. Para quem ainda não foi vacinado, a dose está disponível nos postos de saúde do país, independentemente da idade, e continua sendo a forma mais concreta de evitar a infecção enquanto a ciência avança em busca de uma cura.

Fontes consultadas

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