Após cinco anos de queda, os casos de furtos ou tentativas de furto na malha dutoviária da Transpetro subiram em 2025, chegando a 31 ocorrências, contra 25 registradas em 2024. A informação foi divulgada pela estatal nesta segunda-feira, 10. Ainda sem os números de 2026, a empresa realizará treinamentos simulados para reagir a emergências na próxima quarta-feira, 12, no Rio de Janeiro (Japeri), em São Paulo (São José dos Campos) e no Distrito Federal (Ceilândia).
De acordo com a Transpetro, os exercícios foram planejados em estados que historicamente são alvo de criminosos e que exigem atenção à segurança das faixas de dutos. A empresa, que é a maior subsidiária da Petrobras, opera uma malha de 8,5 mil quilômetros de dutos para transporte de petróleo e derivados em todas as regiões do país. Esse tipo de crime, conhecido como derivação clandestina, consiste em intervenções ilegais nos dutos para subtração de combustíveis.
“A logística por dutos é segura e eficiente, mas a Transpetro é vítima de ações criminosas que tentam furtar combustíveis, o que coloca em risco a vida das pessoas, podem causar incêndios, explosões e vazamentos, provocar danos ao meio ambiente e comprometer o abastecimento de combustíveis destinados a serviços essenciais, como aeroportos, hospitais e portos”, explicou a Transpetro em nota.
Anualmente, a companhia investe cerca de R$ 100 milhões em tecnologia e ações preventivas para coibir a prática criminosa nos dutos, que suportam a logística de mais de 658 milhões de metros cúbicos de petróleo e derivados por ano. A empresa também realiza ações de responsabilidade social nas faixas de dutos e mantém convênios com órgãos estaduais de segurança pública para apoiar investigações que desarticulem organizações criminosas.
Em Ceilândia, o simulado será realizado em um trecho do Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra), o maior do país em extensão e volume movimentado. Com 962 quilômetros e capacidade para transportar cerca de 800 mil metros cúbicos de derivados por mês, o sistema é estratégico para o abastecimento da região Centro-Oeste. O exercício ocorrerá em uma área próxima a onde, em junho deste ano, foi identificada uma tentativa de furto de combustível por meio da construção de um túnel para acesso ao duto, o que mostra a sofisticação das organizações criminosas.
Em São José dos Campos, o treinamento será em uma faixa de dutos do Gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau), projetado para distribuir gás natural entre a Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba e Taubaté. São Paulo concentrou mais de 70% dos casos de derivações clandestinas identificados pela companhia em 2025. O estado também abriga a maior malha dutoviária operada pela Transpetro, com 2.650 quilômetros de dutos em 56 municípios, responsáveis pela movimentação de 339 milhões de metros cúbicos de petróleo e derivados no ano passado, o equivalente a 51% do volume transportado pela companhia no país.
Já em Japeri, o exercício será em um trecho do Oleoduto São Paulo-Rio (Osrio), sistema de 372 quilômetros que liga o Terminal de Guararema (SP) à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, para movimentação de derivados claros, como diesel e gasolina. O cenário simulado envolverá um vazamento provocado por ação de terceiros com impacto em um corpo hídrico da região.
A Transpetro informou ainda que qualquer cidadão pode acionar a empresa pelo telefone 168, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sempre que perceber alguma atitude suspeita na faixa de dutos, como acesso de caminhões, pessoas escavando o terreno ou acessando esses locais no período noturno.

