A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou, nesta terça-feira (21), cinco decretos que proíbem Organizações Sociais (OSs) e Organizações da Sociedade Civil (OSCs) com contratos municipais de receberem recursos de emendas parlamentares diretamente da União.
As novas regras estabelecem que as emendas indicadas a essas entidades devem passar pelo controle direto da prefeitura. Os recursos serão movimentados exclusivamente por contas bancárias vinculadas ao Executivo municipal.
Segundo a prefeitura, a medida garante que as emendas sejam monitoradas desde o ingresso até a realização dos pagamentos. A diretora executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, afirmou que um dos problemas atuais para o controle das emendas é o fato de não estarem vinculadas a uma conta única.
“Um dos problemas que tínhamos já com outras emendas era justamente o fato de não estarem vinculadas a uma conta única. Se essa conta for exclusiva para executar esses repasses, você consegue ter um controle e uma transparência maior”, disse Sakai.
O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) declarou ao Estadão que o recebimento direto das emendas pelas entidades é um dos principais focos de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele afirmou que os decretos ampliam o controle sobre a execução dos recursos.
“O recebimento direto por parte das organizações sociais é o alvo central de apuração por parte do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal de Contas da União”, explicou Cavaliere.
O prefeito disse ainda que, apesar de ser legalmente permitido, o repasse direto de emendas para as entidades não será aceito no Rio. Ele espera que o modelo seja adotado por outras cidades do país.
“A Prefeitura do Rio cria um regime de transição para que a organização social que quer prestar serviços na prefeitura abra mão de receber emendas parlamentares diretas, mesmo sendo uma figura legalmente permitida, ou deixe de prestar serviços na prefeitura do Rio para permanecer recebendo emendas diretas para execução em outras cidades”, afirmou.
Os decretos publicados nesta terça-feira ampliam a transparência da execução financeira das emendas. A prefeitura afirmou que as medidas consolidam um modelo de controle preventivo e rastreio dos recursos públicos.
PF mira desvios de emendas parlamentares
As medidas têm como objetivo evitar casos de desvios como o revelado pela Polícia Federal (PF) no início deste mês. No dia 9, a PF deflagrou uma operação para apurar desvios de emendas do ex-deputado federal Chiquinho Brazão para organizações não governamentais do Rio. Seu irmão, Domingos Brazão, também é investigado no caso. A defesa deles não se manifestou.
Os dois estão presos após terem sido condenados como mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL. Chiquinho está em prisão domiciliar. A PF cumpriu busca e apreensão na residência dele no Rio de Janeiro, além de ter feito buscas em uma empresa de Domingos Brazão.
Uma das ONGs sob suspeita é o Instituto Carioca de Atividades, que recebeu ao menos R$ 7 milhões de emendas de Chiquinho quando ele era deputado. A entidade, que foi alvo de buscas, também recebeu emendas de outros parlamentares.
“A investigação identificou que parte dos recursos provenientes de emendas parlamentares federais destinados a entidades sem fins lucrativos, que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal, teria sido desviada mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores”, informou a PF.

