O pregador católico e terapeuta Anderson Reis saiu em defesa do curso “O Farol e a Forja”, do ator Juliano Cazarré, que gerou debate nas redes sociais nas últimas semanas. A iniciativa, que aborda masculinidade e cristianismo, foi criticada por artistas como Marjorie Estiano e Elisa Lucinda, que apontaram que o projeto reforça discursos de violência de gênero.
Em entrevista, Reis classificou o curso como “uma das iniciativas mais necessárias em nosso tempo”. Para ele, o título “Farol” representa direção, e os homens teriam perdido essa direção em sua vocação, fracassando na família. O terapeuta, que estuda o comportamento masculino, afirmou que observa em seu consultório mulheres reclamando de maridos que se perderam em vícios como jogos, celular e pornografia. “Tenho pacientes cujos esposos começam a jogar às 20h e só param entre duas e três da manhã”, disse. Ele descreveu a situação como uma “epidemia silenciosa” que destrói famílias.
Com 23 anos de experiência em palestras e atendimentos online, Reis aponta a ausência de uma boa paternidade como raiz do problema. “O homem precisava de um pai presente. Precisava crescer num ambiente de exemplo”, afirmou. Segundo ele, quando essa referência falta, o homem vai cedendo aos poucos até não saber mais quem deveria ser. Em seu trabalho, ele diz ajudar os homens a entrar em um processo de reordenação da vida para o amor, curando feridas da falta de paternidade e inserindo uma masculinidade centrada no amor.
Reis também compartilhou sua história pessoal. Abandonado pelo pai aos três anos, sofreu abuso sexual e desenvolveu um vício em pornografia. Repetiu oito anos na escola e foi expulso de seis delas. Atribui a transformação de sua vida às orações de sua mãe, que rezou por ele durante 15 anos. Após a conversão, passou a estudar teologia, filosofia e psicologia, tornou-se palestrante e missionário itinerante, percorrendo o Brasil e oito países. Hoje casado e pai de cinco filhos, ele diz usar a própria história como instrumento em seus atendimentos. “Quando um homem ferido me olha e percebe que eu estive onde ele está, algo se abre nele”, destacou.
Para o terapeuta, o declínio na vida dos homens é evidente, com vícios e depressão. Ele concluiu com um apelo direto: “Você é filho de Deus. Você foi feito para amar de verdade, para ser presença real, para deixar uma marca boa no mundo”.

