O texto discute as práticas terapêuticas não regulamentadas e seus riscos, especialmente quando profissionais sem formação adequada atendem pessoas em situações vulneráveis. Essas práticas incluem constelação familiar, hipnose, coaching e outras, que podem ser úteis se aplicadas por pessoas capacitadas.
O grande problema surge pela falta de regulamentação, que significa ausência de supervisão e formação mínima, além de não existirem mecanismos para denúncias. Qualquer um pode fazer um curso curto, ganhar um certificado e já começar a atender. Isso contrasta com a formação de um psicólogo, que inclui anos de estudos e prática supervisionada. Imagine a confusão que pode acontecer sem esses filtros de qualificação.
Não se trata de invalidar essas práticas. Muitas técnicas têm seu valor, principalmente quando utilizadas por profissionais qualificados. Aqueles que aplicam essas abordagens de maneira ética e clara sabem que não substituem o acompanhamento psicológico quando necessário. Eles reconhecem os limites e a importância de encaminhar o cliente a um especialista quando a situação foge de suas atribuições.
Nos últimos tempos, surgiram relatos preocupantes. Profissionais estão atendendo casos graves sem o conhecimento necessário para reconhecer e encaminhar essas pessoas a psiquiatras. Há práticas que prometem curas milagrosas em poucas sessões, algo que qualquer profissional de saúde mental sabe ser impossível. Além disso, muitos clientes são culpabilizados quando os resultados não aparecem. É comum ouvir coisas como: “Você não está se permitindo” ou “Seu pensamento negativo atrai isso para você”.
Outras situações incluem a criação de dependência emocional e financeira, onde clientes ficam presos em pacotes de tratamento caros e promessas de transformações rápidas. Ausência de contraindicações também é um problema, já que muitos profissionais não avaliam a individualidade de cada caso.
Há muitos relatos de pessoas que passaram por experiências desastrosas. Por exemplo, uma mulher que revivi uma experiência traumática em um ambiente inadequado e saiu da sessão em crise sem acompanhamento. Quem poderia tê-la ajudado depois disso? Já um homem com transtorno bipolar não diagnosticado foi enganado por um coach que prometeu resolver seus problemas, acabando em uma grave crise.
Esses são relatos reais que mostram a fragilidade desse setor. Em vez de soluções, as pessoas encontram mais problemas e não têm para quem recorrer.
É crucial saber a diferença entre práticas complementares e alternativas. “Terapia alternativa” dá a entender que pode substituir métodos tradicionais, enquanto “complementar” indica que deve ser usada em conjunto. Profissionais responsáveis deixam isso claro desde o começo e fazem triagens adequadas.
As promessas fáceis são atraentes, mas perigosas. Quem já sofreu por muito tempo pode ser seduzido por soluções rápidas e acabar abandonando tratamentos que realmente funcionam, ficando ainda mais desanimado quando as promessas não se concretizam.
Falta uma estrutura sólida para que práticas complementares possam ser seguras e eficazes. Cursos curtos não são suficientes para lidar com questões emocionais complexas. Além disso, o reconhecimento de limites é essencial; ninguém pode resolver tudo. A humildade para saber quando encaminhar um cliente é vital.
A ética é outro ponto fundamental. Mesmo sem regulamentação, associações poderiam estabelecer diretrizes rígidas. Profissionais deveriam ser transparentes sobre suas qualificações, limitações e os riscos de suas práticas.
Quando se considera iniciar uma prática complementar, algumas dicas são válidas. Investigue a formação do profissional e desconfie de promessas exageradas. Não deixe de lado tratamentos convencionais, pois eles devem ser complementados, não substituídos. Repare como o profissional lida com limites e observe sinais de alerta, como dependência emocional gerada.
Documentar situações que deram errado pode ser importante. Mesmo sem um lugar formal para denunciar, é possível alertar outras pessoas e buscar reparação.
Profissionais também devem fazer sua parte. É fundamental que tenham clareza sobre suas limitações, façam promessas realistas e continuem se atualizando. Eles precisam assumir responsabilidade se algo não funcionar, nunca transferindo a culpa para o cliente.
A situação atual pede uma conversa séria. O crescimento das práticas complementares mostra a busca por soluções alternativas, mas não podemos aceitar um novo sistema sem regulações. É possível ter práticas sérias e éticas, mas isso exige comprometimento de ambas as partes: profissionais e clientes.
É importante que as próprias categorias profissionais busquem formas de se organizar, criando padrões éticos e mecanismos de controle que afastem os que agem de maneira irresponsável. Esperar que isso aconteça de fora pode levar a consequências sérias, como processos judiciais ou situações trágicas.
Enquanto isso, muitas pessoas vulneráveis continuam sem proteção, sem saber em quem confiar ou onde buscar ajuda quando as coisas não vão bem.
