O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, confirmou que o país não faz mais parte da OMS (Organização Mundial da Saúde) desde terça-feira (17).

    A decisão de deixar a organização já havia sido anunciada em 5 de fevereiro de 2025, após a saída dos Estados Unidos da OMS, e agora foi oficializada pelo governo de Javier Milei.

    A Casa Rosada justificou a saída com críticas à gestão da OMS durante a pandemia de Covid-19 e alegou falta de independência da entidade.

    Quando a intenção foi anunciada, especialistas alertaram que o movimento pode levar a um menor acesso a medicamentos e vacinas, além de perda de apoio técnico e financeiro e isolamento no cenário científico internacional.

    A saída pode resultar em custos mais altos para o acesso a vacinas e tratamentos, deixando o país mais vulnerável a crises de saúde.

    O ministro Quirno afirmou que a Argentina continuará a cooperar internacionalmente em saúde por meio de acordos bilaterais, preservando sua soberania em políticas públicas da área.

    Milei foi um dos principais críticos das orientações da OMS durante a pandemia, antes de ser presidente. A saída foi discutida publicamente, sendo descrita pelo chefe de Gabinete, Manuel Adorni, como uma defesa da soberania nacional.

    O partido do presidente, A Liberdade Avança, argumentou que a OMS não cumpriu seu propósito durante a pandemia, criando quarentenas e políticas que, segundo o grupo, comprometeram a soberania nacional.

    Em junho de 2024, a Argentina começou a sinalizar sua retirada ao não aderir a um tratado pandêmico da OMS, declarando que não aceitaria acordos que afetassem sua soberania.

    Um relatório do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas), principal órgão de pesquisa do país, indica que a saída pode isolar o país da comunidade científica internacional.

    A OMS foi fundada em 1948 e tem sede em Genebra, na Suíça. É responsável por coordenar esforços internacionais em saúde pública, contando com 194 países membros. Sua missão é promover a saúde e coordenar respostas a emergências globais.

    A postura da Argentina se alinha à decisão dos Estados Unidos, que também anunciou sua saída da organização no início de 2025.

    Diferentemente dos EUA, porém, a Argentina depende de colaboração internacional para seus programas de saúde.

    A saída formal da Argentina da OMS é um dos movimentos mais marcantes do governo Milei na política externa. O tema tem gerado debates intensos no país, com setores científicos e da saúde pública expressando preocupação quanto ao futuro do acesso a dados epidemiológicos globais e a iniciativas de erradicação de doenças.

    Anteriormente, a participação na OMS permitia à Argentina integrar redes de vigilância sanitária e ter acesso preferencial a informações técnicas sobre surtos de doenças em outros continentes, um recurso considerado valioso para a prevenção interna.

    Agora, o governo argentino terá que negociar acordos individuais com outros países ou blocos para manter fluxos de informação semelhantes, um processo que especialistas consideram mais lento e fragmentado.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Curioso do Dia e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.