Durante muito tempo, a ciência pensava que o universo funcionava como uma máquina bem ajustada, onde tudo tem uma causa e um efeito. Mas a Física Quântica trouxe uma nova perspectiva, mostrando que, em um nível fundamental, a matéria não é apenas coisa, mas possibilidade.

    Uma das ideias principais da Física Quântica é o “colapso da função de onda”. Antes de medirmos algo, uma partícula pode estar em vários estados ao mesmo tempo. Ela não tem um local fixo ou uma forma definida. Somente quando observamos ou interagimos com ela, uma dessas possibilidades se concretiza.

    Esse momento de transição, que passa do que poderia ser para o que realmente é, tem atraído a atenção de muitos pesquisadores. Eles buscam entender como a consciência humana pode influenciar esse processo. A partir dessa perspectiva, autores como Joe Dispenza, Gregg Braden e Bruce Lipton estão realizando investigações que misturam ciência, biologia e experiência pessoal.

    Joe Dispenza, em seu livro “Como se tornar sobrenatural”, discute que o colapso da função de onda não ocorre sem a participação da mente. Ele argumenta que, ao sentir emoções e se conectar mentalmente a uma possibilidade, há uma mudança mensurável no campo que está antes da matéria. Ele diz que “o observador não só vê a realidade, mas também participa da criação dela”. Essa ideia não é apenas uma mensagem motivacional, mas uma interpretação de experimentos quânticos clássicos, como o da dupla fenda, onde o comportamento das partículas muda com a observação.

    Gregg Braden, por sua vez, está há anos estudando a conexão entre emoções humanas, campos eletromagnéticos e a organização da matéria. Em seu livro “A Matriz Divina”, ele sugere que o universo não é só um espaço vazio entre as coisas, mas um campo inteligente que reage a informações. Ele descreve esse campo como um elo entre a consciência e a matéria, onde nossos pensamentos e emoções atuam como sinais organizadores. Em uma passagem marcante, ele destaca que “o campo não responde ao que pedimos, mas ao que somos enquanto pedimos”. Aqui, o foco não está no desejo em si, mas na qualidade interna de quem deseja.

    Bruce Lipton traz mais uma contribuição importante, ao focar o debate no interior do corpo. Em seu livro “A Biologia da Crença”, ele demonstra que os genes não determinam o destino humano de forma rígida. O ambiente, especialmente como percebemos esse ambiente, regula a expressão genética. Lipton explica que as células reagem a sinais que recebemos externamente, através da membrana celular, e não a um programa fixo. Em termos simples, o que uma célula percebe pode mudar a forma como se comporta. Ele afirma que “a percepção controla a biologia”, e essa ideia ganha mais sentido quando ligada à Física Quântica, já que a percepção é um ato de observação.

    Ao juntar esses três autores, o que vemos é um ponto comum: a realidade, tanto em níveis microscópicos quanto na experiência humana, parece depender menos de estruturas rígidas e mais de campos de informação e interação. O colapso da função de onda deixa de ser só um conceito matemático e se torna uma metáfora para processos internos.

    Antes de tomarmos uma decisão ou mudarmos de caminho, também estamos em um estado de possibilidade. Múltiplas versões de nós mesmos podem coexistir. O que determina qual delas se torna real não é apenas o que fazemos externamente, mas o alinhamento entre nossos pensamentos, emoções e percepções. Quando esse alinhamento está presente, as coisas começam a se organizar. Se ele se fragmenta, muitas vezes acabamos repetindo experiências.

    Joe Dispenza explora essa relação, falando sobre estados mentais em que a pessoa não age apenas a partir de memórias passadas. Ele ressalta que, enquanto o corpo se apega a emoções antigas, o campo de possibilidades permanece fechado. Somente quando a atenção muda do conhecido para o desconhecido é que novas oportunidades aparecem. Essa mudança de estado exige treino mental e equilíbrio emocional, e não apenas uma crença cega.

    Gregg Braden complementa essa visão ao mostrar que emoções como gratidão e apreciação criam padrões mensuráveis no campo energético do coração. Em suas pesquisas com equipamentos de biofeedback, Braden observa que estados emocionais coerentes geram sinais mais organizados do que emoções caóticas. Esses sinais, por sua vez, interagem com o campo ao redor do corpo. A ideia principal aqui não é apenas ser positivo, mas integrar internamente.

    Bruce Lipton conclui dizendo que o corpo grava essas informações. Para a célula, não existe diferença entre um evento real e uma percepção interna. O que importa é o sinal. Isso explica por que emoções prolongadas podem afetar sistemas inteiros, como o imunológico e hormonal. A biologia responde à maneira como interpretamos o mundo.

    Falar sobre o colapso da função de onda, nesse contexto, significa discutir o momento em que a vida deixa de ser uma repetição automática. É quando uma nova percepção gera uma nova resposta, reorganizando a experiência. Não se trata de controlar a realidade, mas de participar dela conscientemente.

    Esse tema é delicado, pois existe uma linha fina entre culpa e responsabilidade. Nenhum desses autores diz que tudo o que acontece na vida de uma pessoa é fruto de sua criação consciente. O que eles propõem é que estados internos, que se repetem ao longo do tempo, moldam nossos padrões. Reconhecer isso traz de volta o poder de escolha, e não um peso nas costas.

    Quando a Física Quântica revela que a matéria surge de campos invisíveis, isso nos leva a refletir. O mundo é mais sutil do que pensamos. Quando a biologia mostra que as células respondem ao ambiente, isso nos convida a prestar atenção. O corpo reflete o que vivemos, pensamos e sentimos. E quando a consciência entra nessa equação, surge a pergunta: de que lugar estamos observando a nossa vida?

    Assim, o colapso da função de onda deixa de ser algo distante dos laboratórios. Ele se manifesta em nossas decisões, nas histórias que contamos e nas emoções que cultivamos. Cada observação interna é um gesto de organização. Cada percepção sustentada é uma escolha que fazemos, mesmo que silenciosamente.

    Um ponto central dessa junção entre ciência e auto-reflexão é que mudar a vida não começa com o desejo de mudar o que está fora. É sobre estar disposto a observar de um novo lugar, menos condicionado e mais atento. É ali que o potencial se torna experiências reais.

    E essa conexão, como nos mostra a Física Quântica e a biologia moderna, sempre esteve ao nosso alcance.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Curioso do Dia e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.