A vida do consultor é cheia de mudanças, sem rotina fixa e exige adaptação contínua. O verdadeiro profissional não escolhe o cenário onde atua, mas cumpre seu compromisso, transformando limites em soluções e desafios em oportunidades de crescimento.
Se você é do tipo que curte passar a semana no escritório e, nos finais de semana, de boa em casa, é melhor escolher outra profissão que não seja a de consultor. Os clientes estão espalhados pelo mundo e você precisa estar onde eles estão, não necessariamente onde gostaria de estar.
Em 2027, vou completar 40 anos nessa estrada e, a cada semana, vivo a emoção de não saber onde estarei na próxima. Isso nos vicia, tanto fisicamente quanto espiritualmente! Aprendemos a ser inquietos, a não ficar duas semanas no mesmo lugar e a nos acostumar com desafios diários. Assim, descobrimos coisas novas e aprendemos a contar apenas com nós mesmos.
Ser consultor é um desafio que nunca acaba. É lidar com imprevistos e encontrar soluções rápidas quando os recursos são limitados. Muitas vezes, precisei dividir minha noite entre dormir e preparar algo novo para o trabalho. Um exemplo foi quando todo o material de um treinamento, enviado do Rio, não chegou a tempo. Os 30 gerentes esperavam por mim pela manhã e eu precisava ter tudo pronto.
Como dizemos, “o show deve continuar”: meus alunos pagaram pelo resultado e teriam que receber, com ou sem material. De manhã, o treinamento estava desenhado nas folhas de um caderno e na minha mente. O resultado foi tão bom que aquele conteúdo improvisado virou parte fixa do nosso cardápio de treinamentos.
Em resumo: quando você escolhe ser consultor, não espere que alguém pergunte se você aguenta noites sem dormir ou longas viagens. Você pode acabar preso na Transamazônica, cercado por bois ou ter que dar aula em um tronco depois de uma tempestade. Às vezes, o banheiro de um hotel pode ser frequentado por pererecas enquanto você aguarda os alunos.
É verdade que a empresa que eu representava era de renome e costumava me colocar em hotéis de luxo. Mas isso não acontecia em todo lugar. Em algumas cidades da Amazônia, o “melhor hotel” tinha camas que machucavam, e eu acordava com percevejos me atacando.
Não dá pra esperar que a viagem seja sempre como ficar no Holiday Inn em Nova Iorque ou no Tangará em São Paulo. O dia a dia de um consultor envolve lidar com o que existe no local, nem sempre o que queremos. Ou você aceita o que há, ou não aceita a missão. O lema é “se não tem tu, vai tu mesmo!”
Depois de mais de três décadas, é impossível esperar que o travesseiro de um hotel seja como o meu em casa. Como um profissional nômade, a palavra “rotina” não existe no meu dicionário. A personalização do trabalho se refere ao serviço que entregamos, não à nossa própria realidade.
Ser consultor é ser um especialista na diversidade: acordar em um lugar novo todos os dias, entregar trabalhos distintos, conhecer pessoas diferentes e viver realidades que ampliam nosso conhecimento. Cada novo projeto é uma nova oportunidade de aprender e experimentar uma paleta de experiências únicas que essa profissão oferece.
