Após uma discussão, homens e mulheres reagem de maneiras diferentes por causa de suas bioquímicas. Enquanto muitos homens buscam prazer para aliviar a dor emocional, as mulheres precisam de segurança para reatar o desejo. Entender essas diferenças pode aumentar a empatia e fortalecer os relacionamentos.

    Esse é um cenário comum: após uma briga, um parceiro pode sentir um desejo sexual intenso, enquanto o outro pode se sentir bloqueado emocionalmente. Para quem observa, parece uma contradição, mas a resposta está na química do cérebro e no funcionamento dos neurotransmissores.

    O estresse é o início de qualquer conflito. Quando uma briga acontece, o cérebro ativa o eixo HPA, aumentando os níveis de cortisol e gerando uma queda na serotonina. A serotonina é essencial para o bem-estar. Quando ela diminui, o corpo entra em alerta e busca uma fuga ou compensação.

    É nesse ponto que as reações de homens e mulheres diferem muito, influenciadas pelos hormônios.

    ### A testosterona e a busca pela dominância

    Nos homens, a baixa serotonina é muitas vezes controlada pela testosterona. Esse hormônio está ligado à busca por status e dominância. Quando acontece um conflito, a testosterona estimula o sistema de recompensa do cérebro, elevando a dopamina.

    Para o homem, fazer sexo após uma briga é como dar um “reset” emocional. Esse ato ajuda a substituir a queda na serotonina por uma explosão de dopamina. Além disso, existe um lado competitivo: o sexo funciona como uma reafirmação do vínculo, ajudando a encerrar a disputa e trazendo um senso de controle sobre a confusão emocional que a briga causou.

    ### O bloqueio feminino e a necessidade de contexto

    Por outro lado, as mulheres tendem a precisar de um ambiente seguro antes de se abrirem para o desejo sexual. Para elas, a queda da serotonina durante um conflito é vista como um sinal de alerta.

    Diferentemente dos homens, que buscam prazer após um conflito, as mulheres geralmente precisam estar em um lugar emocional estável para sentirem desejo. Com o cortisol elevado e a serotonina baixa, a mulher não vê motivos para buscar prazer. Em vez de enxergar o parceiro como uma fonte de alegria, ela pode vê-lo como um estressor. Sem resolver a tensão do conflito, o desejo acaba não surgindo.

    ### Conclusão: Biologia, não insensibilidade

    É importante entender essas dinâmicas para a saúde dos relacionamentos. O homem não é “insensível” por querer sexo após brigas, e a mulher não é “fria” por rejeitá-lo.

    Na verdade, são dois cérebros lidando com a queda nos níveis de neurotransmissores de maneiras diferentes: um busca o prazer como forma de aliviar a dor, enquanto o outro precisa que a dor cesse para sentir prazer novamente.

    Por fim, o conhecimento sobre neurociência nos ajuda a trocar o julgamento por compreensão mútua. Quando entendemos como hormônios e neurotransmissores influenciam nosso comportamento, respeitamos os tempos e as necessidades biológicas de cada um no relacionamento.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Curioso do Dia e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.