Reflexões sobre a Dureza da Vida e o Estoicismo

    Você já se sentiu exausto só de estar vivo? Parece que o mundo tá pesando demais, né? Notícias ruins, injustiças, tudo isso rouba sua energia e faz parecer que a vida não tem sentido. Às vezes, é como se a realidade estivesse de sacada com a gente, e a gente não tivesse lugar nesse jogo.

    O estoicismo não diz que você tá errado por sentir isso. Ele não vai te pedir pra ficar sorrindo feito um bobo, ignorando a dureza das coisas. Os estoicos viveram épocas bem complicadas, com guerras, doenças e tirania. Mesmo assim, eles criaram uma filosofia que não esconde os desafios, mas te dá ferramentas pra você não se deixar derrubar por eles.

    Um grande expoente do estoicismo foi Marco Aurélio. Ele foi imperador de Roma e escrevia suas reflexões enquanto comandava exércitos em guerras. Não era uma vida tranquila, cercado por gente morrendo, traições políticas e doenças que destruíam suas tropas. Suas anotações, que não eram pra serem publicadas, mostram um cara tentando manter a sanidade no meio desse caos.

    Epicteto, outro grande pensador, começou sua vida como escravo. Ele sofreu abusos que o marcaram, mas assim que conseguiu se libertar, fundou uma escola e ensinou que a verdadeira liberdade não tá nas suas circunstâncias, mas nos seus pensamentos e escolhas.

    Sêneca, por sua vez, viveu como conselheiro do imperador Nero, que era bem instável e violento. Ele viu amigos serem mortos e, no fim, teve que se suicidar por ordem de Nero. Mas, mesmo enfrentando tudo isso, Sêneca escreveu sobre viver bem, sem deixar que medo e ansiedade tomassem conta da gente.

    Esses pensadores conheciam as trevas do mundo. O estoicismo surgiu justamente dessa percepção crua de que a vida é cheia de desafios. Eles decidiram não usar isso como desculpa pra desistir de ser uma boa pessoa.

    Um dos pontos chave do estoicismo é a ideia de que existem coisas que você pode controlar e outras que não. O que tá sob seu controle? Seus pensamentos, suas reações e decisões. O resto, como o comportamento dos outros ou a situação do mundo, está fora do seu alcance. Você não pode controlar se as pessoas vão te amar ou se o mundo vai melhorar.

    Quando a gente tá passando por problemas como depressão, a situação fica ainda mais complicada. A depressão mexe com a química do cérebro, tira sua energia e a capacidade de sentir prazer. E quando falamos de burnout existencial, que é aquele cansaço de questionar o sentido da vida, a coisa fica pesada. Você se sente cansado de viver em uma realidade que parece quebrada. Muitas vezes, essas condições andam juntas, complicando mais ainda.

    O estoicismo te ajuda a ver que você tá investindo energia em coisas que não tem controle. Muitas vezes, você se desgasta com notícias que não pode mudar e decisões de terceiros. Os estoicos chamavam isso de “indiferentes externos”, que são coisas fora da sua esfera de controle.

    Você pode se preocupar com essas questões. Pode ir às urnas, protestar ou tentar mudar o que puder. Mas depois de fazer sua parte, precisa soltar. Se você amarrar sua paz ao comportamento do mundo, vai viver em frustração, porque o mundo é caótico por natureza.

    Começar a prática estoica exige perguntas no início do dia. Ao acordar, antes de olhar as mensagens no celular, pergunte: que tipo de pessoa eu quero ser hoje? Foque no caráter, não nas conquistas. Quero ser paciente? Corajoso? Generoso, mesmo quando ninguém tá olhando? Esse é o seu momento de definir suas intenções antes que o mundo tente moldar você.

    Outro questionamento importante é: onde posso exercer meu controle hoje? Não sobre os outros, mas sobre como você responde a eles. Isso te reconecta com o que realmente está nas suas mãos.

    E à noite, como tudo isso foi? O que você fez bem? Onde agiu de forma que te deixou envergonhado? O estoicismo fala do “exame noturno”. Marco Aurélio fazia isso sempre, questionando suas reações e decisões.

    Uma boa desafiada que você pode fazer ao encerrar o dia é: isso vai importar daqui a cinco anos? O cara que te cortou no trânsito, o comentário maldoso do colega, a discussão nas redes sociais. Muitas das coisas que hoje te irritam serão irrelevantes em pouco tempo. Por que deixar que elas afetem seu presente?

    Se você quer mergulhar nesse universo do estoicismo, “Meditações” de Marco Aurélio é uma leitura essencial. Não é um livro formal, mas sim anotações de um cara tentando se entender no meio do caos. Tem repetição, contradições e frustrações – tudo que é humano.

    Outra recomendação é “Cartas a Lucílio”, de Sêneca. Nesse livro, ele dá conselhos práticos de como lidar com raiva, encarar a morte, escolher amigos e valorizar o tempo. É direto e fácil de entender.

    O “Manual de Epicteto”, também conhecido como Encheiridion, é curto e recheado de instruções práticas. Se você quer uma versão condensada do estoicismo, esse é o caminho.

    Sobre filmes, “Gladiador” é um dos mais citados. O personagem Maximus perde tudo, mas mantém sua essência. O papel de Marco Aurélio é fiel à filosofia estoica, mostrando a importância de manter o caráter em tempos difíceis. “Senhor dos Anéis” também traz a mensagem estoica, como na fala do Gandalf: “Tudo o que temos a decidir é o que fazer com o tempo que nos é concedido”.

    O estoicismo não vai curar sua sensibilidade. Você vai continuar percebendo as contradições do mundo. Mas ele te oferece ferramentas para não ser paralisado por isso. Você pode sentir pela dor do outro sem perder sua estabilidade emocional. Se importar com a justiça, sem se destruir por ela.

    A famosa frase de Epicteto resume bem: “Não são os eventos que perturbam as pessoas, mas seus julgamentos sobre os eventos”. Você não controla o que acontece, mas o que fará disso. Essa é a sua parte.

    Quando você enfrenta burnout ou depressão, pode parecer que carrega o peso do mundo. O estoicismo te convida a colocar esse peso no chão, e carregar apenas o que é seu: suas escolhas, reações e caráter. O resto, deixa com o universo.

    Você não precisa ter todas as respostas. Como Marco Aurélio disse, o importante é fazer bem o trabalho da vida humana, da melhor forma que puder, e descansar depois.

    O mundo vai continuar desafiador. Provavelmente, vai ser assim sempre. Mas você pode aprender a viver nele sem se quebrar. Pode manter sua sensibilidade como algo que te enriquece, e se importar sem se consumir. Isso é a diferença entre ser levado pela corrente e aprender a nadar nela.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Curioso do Dia e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.