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Rim de gato guarda a "senha" química que identifica cada animal

Pesquisa japonesa encontra nos rins felinos gotículas de gordura que mantêm o odor individual estável por meses

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Rim de gato guarda a "senha" química que identifica cada animal

Rim de gato guarda a "senha" química que identifica cada animal

Pesquisadores da Universidade de Iwate, no Japão, descobriram que os rins dos gatos domésticos funcionam como um reservatório de compostos químicos que tornam o odor de cada animal único e reconhecível por outros felinos. O estudo, publicado na revista científica Current Biology, foi divulgado nesta semana e explica um comportamento observado há décadas por quem convive com gatos: a capacidade de identificar indivíduos apenas pelo cheiro da urina.

Segundo o BH 24 Horas, a equipe identificou 13 ácidos graxos de cadeia ramificada na urina dos animais, substâncias que variam de proporção entre um gato e outro, mas se mantêm relativamente estáveis nas amostras de um mesmo indivíduo ao longo de meses. Essa combinação específica de moléculas formaria uma espécie de assinatura química pessoal, resistente ao tempo e a mudanças de rotina.

O Portal Cães e Gatos descreveu o achado como uma "impressão digital química", já que cada animal carrega uma proporção própria dessas moléculas, embora gatos com parentesco próximo apresentem perfis mais parecidos entre si.

Como os cientistas testaram o reconhecimento entre gatos

Para confirmar que os felinos realmente distinguem essas assinaturas, os pesquisadores expuseram os animais repetidamente à urina de um mesmo indivíduo. Com o tempo, o interesse dos gatos diminuía, sinal de que reconheciam aquele cheiro como familiar, de acordo com o BH 24 Horas.

Quando uma amostra de urina desconhecida era apresentada, no entanto, a curiosidade voltava a aparecer, mesmo depois de longos intervalos entre uma exposição e outra. Esse padrão indicou aos cientistas que os gatos guardam uma espécie de memória olfativa de longo prazo para outros indivíduos.

O comportamento usado como principal indício nesses testes foi a chamada resposta de Flehmen, quando o gato ergue a cabeça, franze o focinho e abre levemente a boca ao sentir um cheiro. O Portal Cães e Gatos explica que esse gesto ajuda o animal a captar substâncias químicas por um órgão sensorial localizado no céu da boca, o órgão vomeronasal. A reação apareceu com mais frequência diante de urinas desconhecidas do que diante de amostras já familiares.

Função das gotículas de gordura nos rins era desconhecida

A estrutura no centro da descoberta, gotículas lipídicas presentes no córtex renal dos gatos, já era conhecida pela ciência há mais de cem anos, mas sua utilidade permanecia um mistério. Os dois veículos destacam que o novo estudo é o primeiro a associar essas gotículas diretamente à manutenção da identidade química do animal.

De acordo com o Portal Cães e Gatos, os resultados sugerem que o rim tem papel ativo na produção e conservação desse perfil químico usado tanto para marcar território quanto para reconhecimento social entre os gatos. A ideia é que esse reservatório funcione como uma espécie de estoque, liberando as substâncias de forma constante independentemente de variações na alimentação ou no estado de saúde do animal.

O BH 24 Horas acrescenta que compostos semelhantes foram encontrados em outros felinos, como leões, tigres, onças-pintadas, leopardos, linces e o gato-de-iriomote, embora as quantidades e a composição variem entre espécies e regiões geográficas diferentes.

O que ainda não se sabe sobre o mecanismo

Apesar dos indícios comportamentais, os cientistas ainda não têm certeza absoluta de que esses ácidos graxos são, de fato, o principal sinal usado pelos gatos para reconhecer indivíduos. O BH 24 Horas ressalta que essa conclusão segue sendo tratada como hipótese em avaliação, sustentada por experimentos em que os animais reagiram de forma diferente quando a fração química da urina foi alterada em laboratório.

O Portal Cães e Gatos informa que a própria equipe japonesa planeja investigar, em etapas futuras, como essas gotículas se formam nos rins e de que maneira são liberadas até chegar à urina. Ou seja, o "como" do processo de identificação já tem pistas fortes, mas o "por que" fisiológico completo ainda está sendo mapeado.

O que muda para quem tem gato em casa

Nenhuma das fontes menciona qualquer aplicação prática imediata para tutores de gatos domésticos, nem exame ou produto derivado da descoberta. O achado, por ora, pertence ao campo da pesquisa básica em biologia animal, sem relação com testes clínicos ou de saúde disponíveis no Brasil.

O que a descoberta ajuda a explicar, na prática, é por que um gato reage de formas tão diferentes ao cheiro de outro animal familiar e ao de um estranho, e por que marcar territórios com urina pode ser uma estratégia de comunicação mais duradoura do que se imaginava. Os próprios pesquisadores citados pelo BH 24 Horas apontam um possível uso futuro: métodos não invasivos para monitorar felinos selvagens ameaçados, usando apenas amostras de urina coletadas no ambiente, sem precisar capturar o animal.

Por enquanto, essa aplicação depende de mais estudos que confirmem se a assinatura química realmente se mantém estável ao longo de anos, e não apenas nos meses observados na pesquisa atual. Até lá, o que fica estabelecido é o mecanismo: uma estrutura renal antiga, cuja função intrigava cientistas há mais de um século, finalmente ganhou uma explicação plausível para sua existência.

Fontes consultadas

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